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PSIQUÊ
Psiquê,
que simboliza a alma e constitui uma metáfora sobre
a espiritualidade humana, veio a se tornar Deusa
por intervenção de Zeus.
Psiquê
chamava muito a atenção por onde passava
e tornou-se vítima do ciúmes de Afrodite,
mãe de Eros, que ordenou que ele fizesse
com que Psiqué se apaixonasse por alguma
pessoa que a fizesse sofrer.
Eros
encontrou Psiquê dormindo e acordou-a ao tocá-la
com uma de suas flechas. Ficou tão maravilhado por
sua beleza que, acidentalmente, arranhou a si mesmo
com uma flecha e apaixonou-se por ela. Levou-a dali
para bem longe, para um maravilhoso palácio e ia
visitá-la todas as noites.
Pilastras
de ouro sustentavam a abóbada do leito e as paredes
eram decoradas com pinturas representando animais
de caça e cenas campestres. Outros cômodos eram
decorados com várias e preciosas obras de arte.
Sem nenhuma ajuda visível, todos os desejos de Psiquê
eram cumpridos. Durante muito tempo, ela não havia
olhado para o seu marido, pois este lhe tinha proibido
de olhá-lo, uma vez que ele queria que o amasse,
como humano, e não como a um deus.
Mas
a curiosidade finalmente se apoderou dela. Uma noite,
enquanto Eros dormia, Psiquê acendeu uma lâmpada
e segurou-a por cima dele para vê-lo. Mas uma gota
de óleo quente caiu em seu peito que, sem pronunciar
uma palavra, abriu suas belas asas e voou pela janela
afora. O palácio e tudo o que ele continha desapareceu.
Psiquê
vagou dia e noite, sem comer, sem dormir. procurando
seu esposo, enquanto ele estava preso no quarto
da mãe por causa de sua ferida. Afrodite, irritada
com Psiquê por ter se casado com seu filho,
impôs-lhe um período de punição. Zeus suplicou
pelo perdão aos dois namorados e ela o fez. Então
Hermes (Mensageiro dos Deuses) foi enviado para
apanhar Psiqué e levá-la ao Olimpo. Quando
ela lá chegou, Zeus deu-lhe um copo de néctar para
beber, tornando-a imortal e unindo-a para sempre
com o seu marido.
Substituindo
EROS por AMOR, BELEZA por AFRODITE, ALMA por PSIQUÉ,
vemos o real sentido da explicação mítica do enamoramento
e do amor.
O
Amor (Eros) subjuga corações e triunfa sobre o bom
senso. A Beleza (Afrodite) sentiu ciúmes da Alma
(Psiqué), ordenando ao Amor (Eros) que a fizesse
gostar de alguém ruim. Mas o Amor se apaixonou pela
Alma, pois esta era muito linda. Após ter visualizado
a sua beleza e se embaraçado, arranhou-se em uma
de suas flechas. Porém, o Amor (Eros) não queria
que Alma (Psiqué) o endeusasse.
Ao chegar ao Olimpo, Zeus deu-lhe um copo de néctar
para beber, tornando-a imortal e unindo-a para sempre
com o seu marido.
O
Amor se dá pela beleza da Alma. A morte os separa
e a Alma, após ir para o paraíso dos Deuses,
torna-se imortal e reencontra o seu Amor. (Fernando
Fernandes)
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